O homem lá comemorou o seu “dia da raça”.
Com as contradições que, inevitavelmente, não consegue disfarçar.
Seja por estratégia seja por qualquer outra razão.
Pois quem consegue condecorar esbirros da pide e homenagear o Capitão Salgueiro Maia depois de ter feito o que fez, exibe uma contradição pouco comum num regime democrático que se preze.
Está bem que o homem nunca viu com muitos bons olhos o 25 de Abril.
Vai daí nunca perde a oportunidade de lhe dar umas ferroadas.
Se fez um sacrifício medonho ao homenagear o Capitão, não deixou contudo de tirar a desforra.
Condecorou também uma organização auto-intitulada de central sindical, numa atitude que conspurca quer o espírito de Abril, quer os trabalhadores portugueses.
Não que a central sindical portuguesa, que até tem uma história de resistência antes de 1974, e que o homem não perdoa, ou os trabalhadores portugueses precisem ou queiram receber alguma condecoração por parte do homem.
Mas, bolas, a indecência deveria ter limites.
Seremos mesmo um povo de brandos costumes?
É que o homem, este de quem temos vindo a falar, foi dez anos primeiro-ministro e é o actual presidente da República.
E, pasme-se, não sabe uma coisa elementar que qualquer criança da escola sabe: que o lucro é a diferença entre as receitas e as despesas.
Ao vetar a Lei de Financiamento dos Partidos com o argumento de que o lucro é as receitas o homem exibe má fé e tem um alvo muito nítido.
Ou terá aprendido a teoria do lucro com os seus muito recomendáveis amigos do BPN?
Que povo somos que elegemos dirigentes desta estirpe?
# Alex Campos no Cheira-me a Revolução!