quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Hoje há Avante!

 DESTAQUES:
Ampliar a luta dos trabalhadores
Após a jornada nacional de ontem - com duas grandes manifestações a perspectivarem-se para o Porto e para Lisboa, com início marcado para depois da hora de fecho da nossa edição -, reúne-se hoje o Conselho Nacional da CGTP-IN, que deverá decidir o prosseguimento da luta. Ao Avante! os coordenadores das duas uniões de sindicatos dos distritos onde o protesto ia mostrar-se nas ruas salientaram, como sentimento expresso durante a preparação desta jornada, a necessidade de prosseguir e ampliar a luta, dando-lhe outra dimensão.
Comissão de candidatura do PCP
Campanha de massas, de esclarecimento e de participação
A Comissão da Candidatura de Francisco Lopes reuniu no domingo. Com uma ampla composição, a Comissão analisou diversos aspectos relacionados e debateu as principais linhas de intervenção.
Cimeira da NATO
Portugal contra
A Campanha «Paz Sim! NATO não!» apela a todos os cidadãos defensores da paz a participarem na manifestação que se vai realizar no dia 20 de Novembro, em Lisboa, contra a Cimeira da NATO que se vai realizar em Portugal.
Revisão Constitucional
Aprofundar o progresso
O PCP apresentará o seu próprio projecto de revisão constitucional cujas linhas mestras serão o aperfeiçoamento e o aprofundamento do sentido progressista da Lei Fundamental.
Concentração de polícias
Governo obrigado a ceder
Ao segundo dia da concentração iniciada, dia 23, em Lisboa, diante do Ministério da Administração Interna, para exigir o descongelamento de 1500 promoções, o Governo foi forçado a ceder.
Comunicado da Comissão Política do PCP
A Revolução Republicana de 1910 – Importante marco na história da luta libertadora do povo português
A Comissão Política do Comité Central do PCP emitiu um comunicado, no dia 28, relativo ao centenário da revolução republicana de 1910, que publicamos na íntegra.
França
Mais greves em Outubro
As oito centrais sindicais francesas convocaram duas novas jornadas de luta, dando continuidade ao protesto gigante que mobilizou três milhões de trabalhadores.
Venezuela
Vitória popular
A aliança entre o Partido Socialista Unido da Venezuela e o Partido Comunista da Venezuela obteve a maioria dos deputados na Assembleia Nacional do país.

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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Para um excelente candidato... um excelente mandatário distrital.

Presidenciais 2011 – Francisco Lopes



Quando recentemente, pelo menos aqui e aqui, declarei neste blogue o meu apoio à candidatura de Francisco Lopes à Presidência da República lançada pelo PCP, falei a sério e, obviamente, esperando ser levado a sério.

Descobri (com algum espanto) que houve um grupo alargado de pessoas que me levou a sério de uma forma inesperada. Resultado: sou o mandatário distrital da Candidatura de Francisco Lopes pelo distrito de Évora!

Teremos muito tempo pela frente para ir falando, aqui e ali, sobre isso. Para já fica registado o grande prazer que isso me dá... e que ajuda bastante a acalmar a “nervoseira” causada pela responsabilidade.

Como ao longo dos próximos tempos não deixarei de aqui publicar uma ou outra impressão, estória ou testemunho sobre aquilo que for o decorrer da campanha (das várias campanhas), hoje deixo apenas uma frase que alguém antes usou, pensando estar a denegrir a candidatura comunista, creio que a de Jerónimo de Sousa... mas acabando por, involuntariamente, lhe ter feito o maior elogio, que volta a assentar como uma luva na candidatura de Francisco Lopes:

«É uma candidatura colectiva a um cargo unipessoal!»

Samuel no Cantigueiro

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

QUE GRANDE CAMBADA!

Em tempo de «crise»... não se limpam armas...

Aí estão, a demonstrá-lo, os dois intrépidos guerreiros do momento - José Sócrates e Passos Coelho - exibindo as mesmas armas sujas na representação da farsa que tem como primeiro objectivo garantir a continuação da política de direita.

Ambos cheios de razão, chamam-se, um ao outro, mentirosos.

Ambos mentindo, dizem-se, um e outro, portadores de projectos e políticas diferentes.

Por seu lado, os média dominantes - cumprindo o destino que lhes está reservado - relatam os aguerridos duelos de palavras travados pelos dois protagonistas da farsa como se de uma batalha se tratasse - e com tal colorido o fazem que, por vezes, até parece que os próprios média acreditam no que escrevem...

Tudo isto terminará, para já, com... o Orçamento de Estado aprovado, ou seja, com o caminho aberto para que a política de direita - com Sócrates ou com Passos, com o PS ou com o PSD, para o grande capital tanto faz - prossiga a destruição dos interesses e direitos dos trabalhadores, do povo e do País.

E tudo isto terminará quando os trabalhadores e o povo decidirem tomar nas suas mãos o seu próprio destino.

Protagonistas da farsa são, também, o actual e alguns ex-presidentes da República, os tais que, em acto de tomada de posse, juraram pela sua honra «defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa» - mas que, como a realidade mostrou, nem defenderam, nem cumpriram, nem fizeram cumprir a Lei Fundamental do País, antes pelo contrário.

Cavaco Silva tem-se desdobrado em conselhos, advertências e apelos ao entendimento entre os dois principais partidos da política de direita: o dele e o que não é mas podia ser dele.

Por isso, como hoje nos diz uma afamada empresa produtora das chamadas sondagens de opinião, «será reeleito com larga maioria»...

Agora, foi a vez de entrar em cena o ex-PR Jorge Sampaio que se manifestou preocupado com a não aplicação dos «inevitáveis sacrifícios» que a «crise» exige...

E, mostrando de que «sacrifícios» está a falar, ensinou que «os portugueses reagem bem quando se explica os sacrifícios que é preciso serem feitos»...

O que precisamos, então, é de bons... explicadores...

Por seu turno, o omnipresente Mário Soares - pai da política de direita e ex-PR - veio, ontem, apelar ao «bom senso» do PSD e do PS com vistas a um acordo sobre o Orçamento de Estado, isto é, sobre a continuação da política de direita.

E aproveitou para ensinar o que sabe e praticou em matéria de «inevitáveis sacrifícios»: em fala de mestre, e apontando caminhos ao actual Governo PS, lembrou que, quando foi primeiro-ministro, ele, Soares, roubou «o 14º mês aos portugueses»...

Ora, como a «crise» actual é a mais grave de sempre, o melhor é começar a pensar não apenas no 14º mas também no 13º mês, pelo menos...

Que grande cambada!

domingo, 26 de setembro de 2010

Agora são precisos 19 "queijos limianos"!

Estava a "levantar a mesa" do almoço e - zás - prendem-se-me os olhos à embalagem do queijo que ia arrumar.

Não tinha reparado... e achei que era perseguição!

Pelo que saltei para o "scanner" e para esta "gracinha".

Todos juntos genuinamente (quais?, o PS e o PSD?, ou também o CDS?, e porque não o BE?)

50% (mais um)?

Ainda há pouco, em mensagem que por aí ficou, referia o "queijo limiano", referência política-parlamentar que ficou da legislatura (encurtada) de 1999-2002, em que o PS, com 115 deputados, precisou de um deputado eleito pelo CDS para conseguir fazer passar os orçamentos de 2001 e 2002, tendo-me ficado sempre a dúvida se não se encontraria outra forma de continuar a mesma política se esse deputado do sobredito queijo não se tivesse disposto ao "sacrifício" de se juntar aos 115 do PS, com largas (re)compensações para a autarquia de que era presidente.

Agora, para o OE para 2011... talvez a abstenção de 19, venham eles de onde vierem!, para que se cumpram os "serviços mínimos": 97 a favor, 19 abstenções, 114 contra, e passou!

Porque outra situação nem passa pela cabeça do senhor PdaR...

Sérgio Ribeiro no Anónimo Séc. XXI

sábado, 25 de setembro de 2010

Alicia Alonso - Ovação de pé

Mais de cinquenta anos separam estas duas fotografias de Alicia Ernestina de la Caridad del Cobre Martínez del Hoyo (Havana - 1920), Alícia Alonso, apenas, para os amantes da dança.

Antes da captação da primeira imagem, autografada e datada, já ela tinha feito muito caminho na sua arte.

De lá até hoje construiu uma carreira cheia, como bailarina e, sobretudo, como criadora e directora do Ballet Nacional de Cuba, instituição artística prestigiada em todo o mundo, independentemente das simpatias ou antipatias em relação às opções políticas daquele país.

Como nos conta o “Cravo de Abril”, por ocasião de mais uma edição do Festival Internacional de Ballet que se realizará em Havana de 28/10 a 7/11 e que ocorre justamente «en el año de homenagen a la prima ballerina assoluta Alícia Alonso» a directora encarregou-se de enviar os habituais convites nestas ocasiões.

Um dos convites, no entanto, está longe de ser habitual.

Alícia Alonso resolveu convidar pessoalmente o presidente Barack Obama a estar presente… mas acrescentou convites para o presidente se poder fazer acompanhar pelos cinco cubanos injustamente presos há doze anos nos EUA.

Em primeiro lugar, evidentemente, gostaria muito de saber que estes homens estavam finalmente em liberdade.

Segundo, estaria disposto a aplaudir Obama por esse gesto.

Terceiro, adoraria ver a cara de alguns babosos “obamaníacos” que, enfim…

Resumindo, a grande Alícia Alonso até poderia “dançar” tão bem quanto eu, pois com este brilhante “fouetté”, “gran jeté”, “battement frappé”, “attitude”… o que lhe quiserem chamar… merece uma longa e sentida ovação.

De pé!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O que aumentou a esperança de vida foram os direitos sociais...


- É preciso adiantar a idade da reforma porque a esperança de vida aumentou...
- Foi a reforma aos 60 anos que aumentou a esperança de vida!
- Precisamente...
 
 
«O actual governo, operando diligentemente estas orientações, pretende, no seu programa, «garantir a sustentabilidade e a justiça do sistema de Segurança Social», com o fundamento do aumento da esperança de vida, dizendo que o caminho é o do «envelhecimento activo», favorecido pela «permanência dos trabalhadores mais idosos nos seus postos de trabalho» e «minimizando os custos para a comunidade da antecipação da idade da reforma».
 
Mas a realidade é que, apesar do aumento da esperança de vida, o tempo de vida que os trabalhadores terão para usufruírem do direito à reforma, que construíram de facto com as suas contribuições e com a mais valia do seu trabalho, será reduzido se aumentar a idade mínima da reforma, também pelo efeito que o desgaste pelo trabalho implica para a saúde, e portanto na própria esperança de vida dos trabalhadores, nomeadamente em profissões com penosidade.»
 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Hoje há Avante!

 DESTAQUES:
Jornada nacional de luta da CGTP-IN
Mobilização para dia 29 cresce
Nas empresas privadas e na Administração Pública, os sindicatos apelam à realização de greves e paralisações na próxima quarta-feira. Para levar o protesto para a rua, realizam-se concentrações, às 15 horas, em Lisboa e no Porto. O envolvimento dos trabalhadores e a disponibilidade para a participação na luta estão a crescer.
Francisco Lopes com a juventude
Mobilizar energias para a ruptura e a mudança
«Estamos a começar bem», disse Francisco Lopes perante o entusiasmo com que foi recebido por centena e meia de jovens apoiantes, num jantar em Lisboa.
Poder local
Uma greve em força
A greve dos trabalhadores da Administração Local registou, segunda-feira, uma adesão que superou as expectativas do STAL/CGTP-IN. Um aviso sério a Sócrates.
31 anos do SNS
Conquista a defender
O PCP, na sessão evocativa dos 31 anos do Serviço Nacional de Saúde, reafirmou o compromisso de defender e reforçar esta conquista de Abril.
Escola Pública

Debaixo de fogo
PCP condenou acção do Governo em matéria de educação, considerando que as medidas adoptadas aprofundam linha de ataque à Escola Pública.
Com «o rosto da mobilização necessária»

Barata-Moura mandatário
José Barata-Moura é o mandatário nacional da candidatura de Francisco Lopes à Presidência da República, anunciou anteontem o gabinete de imprensa.
Agricultores denunciam
Situação dramática
Os agricultores exigem medidas que minorem os prejuízos causados no Verão pelos incêndios, afirmando estarem em causa os seus interesses e direitos.
A «crise» nos EUA
Milhões de pobres
O total de pobres nos EUA cresceu para o maior número desde que são recolhidos dados sobre a matéria. O desemprego alastra.


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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Apesar da crise, a parte da riqueza criada pelos trabalhadores em Portugal que não reverte para o trabalho continua a ser muito elevada

Uma das mensagens que os patrões e os seus defensores, incluindo o próprio governo, têm procurado fazer passar junto da opinião pública, é que a crise está atingir da mesma forma trabalhadores e patrões, tendo por isso praticamente desaparecido a exploração do Trabalho pelo Capital em Portugal. Desta forma procuram também justificar a politica de sacrifícios que estão a impor aos trabalhadores, nomeadamente aos com mais baixos rendimentos.

Mas isso não é verdade como vamos provar utilizando apenas dados oficiais divulgados pelo INE já em 2010.

Se subtrairmos ao Produto Interno Liquido, ou seja, à riqueza liquida criada anualmente no nosso País, os "Ordenados e salários", obtém-se um primeiro valor da "mais-valia" anual criada pelos trabalhadores, cujos montantes para os anos 2005-2009, se encontram na coluna (5) do quadro 1, obtidos com base nos valores do PIB, do Consumo de Capital Fixo e de Ordenados e Salários divulgados pelo INE. Se depois calcularmos a taxa de mais-valia (m´= M/V) concluímos que ela aumentou durante o 1º governo de Sócrates pois passou, entre 2005 e 2007, de 111,4% para 117,2%, tendo descido no período 2008-2009 com a crise, mas continuando a apresentar um valor muito elevado já que, em 2009, foi de 103%. Uma taxa de mais-valia de 103% significa que a parcela de riqueza que não reverte para os trabalhadores é superior ao valor dos "ordenados e salários". Mesmo esta taxa de mais-valia de 103% deverá estar subestimada porque no valor dos "Ordenados e salários" deverão estar incluídas as indemnizações pagas aos trabalhadores despedidos, cujo numero aumentou significativamente em 2008 e 2009.

No entanto, para além do valor dos "ordenados e salários " considerados anteriormente no cálculo da taxa de mais-valia, as empresas também têm de pagar as contribuições para a Segurança Social (salário indirecto). Se somarmos aos valores dos "Ordenados e salários" as "contribuições" para a Segurança Social, obtém-se aquilo que o INE designa como "remunerações". Subtraindo ao Produto Interno Liquido de cada ano o respectivo valor de "remunerações", obtém –se um segundo valor para a mais-valia criada em Portugal pelos trabalhadores nos anos 2005-2009 que consta da coluna 5 do quadro 2. Calculando depois a taxa de mais valia da mesma forma que anteriormente (dividindo o valor de mais-valia pelas remunerações), conclui-se que a taxa de mais-valia assim calculada aumentou de uma forma continua entre 2005 e 2007 com o governo de Sócrates, pois durante este período subiu de 64,8% para 69,4%, tendo-se depois verificado com a crise uma quebra no seu valor, atingindo, no entanto, em 2009, cerca de 58,4%, que continua a ser um valor bastante elevado. Tenha-se presente que as remunerações são "recebidas" pelos Trabalhadores por Conta de Outrem" que representavam 86,8% da população empregada em 2009 em Portugal. E mesmo esta taxa de mais-valia deverá estar subestimada porque no valor das remunerações está também incluído o valor das indemnizações pagas aos trabalhadores despedidos, cujo número em 2008 e 2009 aumentou significativamente, assim como os incentivos às empresas pagos com contribuições para a Segurança Social, portanto uma importância que depois não reverte para os trabalhadores embora estejam incluídos nos valores do salário indirecto calculado com base nos dados do INE.

Assim, contrariamente ao que afirmam os patrões e o próprio governo, a crise não é igual para todos e a exploração do Trabalho pelo Capital em Portugal continua em plena crise. Para além disso, os grupos económicos que têm uma posição dominante em muitos segmentos de mercado utilizam esse poder para imporem preços elevados, apropriando, deste forma, da mais-valia criada não só pelos trabalhadores que trabalham nas empresas desses grupos, mas também pelos trabalhadores de empresas de outros sectores. É o que acontece com a GALP, a EDP, a CIMPOR, etc., em que os preços sem impostos são até superiores aos preços médios da UE27, como provamos em estudos anteriores.
 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A crise passará ? E a guerra será evitável?

1. Nos EUA os lucros subiram com a dívida, mesmo quando a produção diminuía durante décadas.

Os dirigentes políticos e dos grandes grupos subestimaram a debilidade que crescia na economia subjacente.

Os EUA e a Europa desaceleraram e aproximaram-se da estagnação.
Krugman assinalou depois que não se iria sair da presente crise como das de 1930 e da anterior de 1873.

De facto, os anunciados arranques de melhorias de negócios ou de recuperações que se propagariam à Europa não se estão a realizar.

Nos EUA e outros países registam-se retrocessos dessas expectativas, positivas, mas não sustentadas.

A estagnação será, certamente, a perspectiva mais provável.

2. A diferença assinalável entre crises resulta nesta último da financeirização do sistema, geradora de mais lucros de papel mas desligados dom valor da produção.

Em nome da inovação tecnológica, agitada como pechisbeque de feira, a economia real foi deitada às urtigas ou concentrou-se em grandes corporações.

A desvalorização do trabalho como factor "dispensável", pressionou alterações nos direitos e condições de vida dos trabalhadores, para obter as reduções de despesa associadas às quebras de investimento produtivo.

A criação de valor produtivo foi substituído por economias de casino.

E chamou-se a isso modernidade.

Os partidos que em Portugal há 35 anos têm o poder estão irremediàvelmente. comprometidos com estas opções.

São ratazanas gordas a querer saltar do barco sem saberem nadar e que por cá ficam engordando as suas clientelas até no barco haver força para as fazer saltar e para mudar a orientação do leme.

As bolhas foram inchando e o seu rebentamento tornou-se mais problemático com o abandono das economias.

O ataque ao déficite, preferido ao crescimento económico que pode tornar esse outro combate profícuo, revelou uma opção de classe nítida, a favor da riqueza fácil de alguns e da debilidade e marginalização dos restantes que poderiam criar uma base mais alargada para essa redistribuição.

A quebra do investimento e da actividade produtiva comprometeram a recuperação económica.

3. À escala mundial, os EUA para ganharem a guerra fria, e para imporem o seu papel de potência em toda a parte (o império) endividou-se até ao tutano, não controlou os seus déficites e foi obrigado a recorrer à oferta de outros países (ditos emergentes) para lhe manterem os níveis de vida e tentando, como agora está a acontecer com a China, impor-lhes desvalorizações forçadas da sua moeda para se poderem manter.

Uma vez mais à custa dos outros.

A insistência no mundo capitalista numa desregulação financeira e nas opções neo-liberais para a economia, estão a impedir, de facto, a acumulação capitalista, que noutras crises ajudou à recuperação.

Para além disso os EUA, mas não só, operam como lavandarias do dinheiro sujo da droga e do tráfico de armas, há muito transformadas em fonte de financiamento das operações de inteligência dos EUA no criar e alimentar grupos terroristas e acções de subversão e ingerência noutros países numa ingerência ilimitada noutros países.

4. A imprevisibilidade de saída desta crise não dispensou a medida cautelar dos EUA e dos seus mais directos aliados de usarem crescentemente a NATO como força de intervenção à escala mundial.

Vêm a Lisboa em 20 de Novembro falar-nos de guerra.

Ao mesmo tempo animam situações de guerra actuais ou potenciais na América Latina, no Médio Oriente e Ásia Central, bem como no Extremo Oriente, a abertura de caminhos até às fronteiras com o Irão, a China e a Rússia.

Para isso contam com o apoio da Colômbia, ou do Egipto, do Paquistão ou de Israel.

Os avisos insistentes de Fidel nestas últimas semanas têm fundada razão de ser.

5. Neste contexto de dominação e de grandes receios só os povos,. levantando-se, poderão conjurá-los.

Não é fácil mas não há outro caminho.

Por isso estaremos todos dia 20 de Novembro na manifestação contra a presença da NATO.
 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Será mesmo uma candidatura diferente?

Confesso que ando fascinado, diria mesmo sensibilizado, com tanto desvelo.

De repente analistas, jornalistas e comentadores andam numa lufa-lufa que só visto, ouvido e lido.

Ele é análises e contra-análises.

Ele é propostas e contrapropostas.

Tudo com um só objectivo: assegurar uma votação histórica do candidato comunista às eleições presidenciais.

Quiçá mesmo vencê-las!

Mas de repente, vá-se lá saber porquê, veio-me à ideia aquela conhecida frase: «Sob o manto diáfano da fantasia a nudez crua da verdade.»

E desci à terra!

A perturbação causada em diferentes sectores (à esquerda e à direita) do espectro político pela apresentação da candidatura do dirigente comunista Francisco Lopes é evidente.

Porque será?

Será pela análise que faz à situação do país e às suas causas?

Será pelas soluções que aponta para a resolução dos problemas existentes?

Será por querer dar voz aos trabalhadores e ao povo de Portugal, protagonistas da ruptura e da mudança cada vez mais necessárias?

«Eles» sabem muito bem que sim!

Os argumentos dos adversários confessos, visando desvalorizar esta candidatura, são múltiplos e variegados.

Desde logo, as baixas e soezes, na forma e no conteúdo, referências quer à origem social, quer às habilitações literárias de Francisco Lopes.

Apetece dizer que o (des)governo dos «doutores» e «engenheiros» é que conduziu Portugal ao actual estado de coisas.

Depois vêm os chavões do costume, típicos argumentos ad nauseam.

«Homem do aparelho», proclamam.

Cavaco Silva, Francisco Louçã, Mário Soares, Jorge Sampaio não foram - ou são - dirigentes partidários?

E Manuel Alegre?

Ou será que ser do aparelho só é mau se o aparelho for o do PCP?

«Ortodoxo», berram aos quatro ventos.

E não disseram ou escreveram o mesmo sobre os outros candidatos comunistas em anteriores eleições presidenciais?

«Perfeito desconhecido» do país e do eleitorado.

A sério?

Então expliquem lá onde foram buscar, de uma hora para a outra, tantas informações quanto aos seus supostos deméritos?

A algum Espírito Santo de orelha?

Perante tais «argumentos», seria lógico e natural que festejassem e aplaudissem a candidatura de Francisco Lopes.

Mas não o fazem.

E sabem muito bem porquê.

E nós também...

A realidade é outra.

E está toda ela na declaração de candidatura de Francisco Lopes, sintomaticamente silenciada na comunicação social dominante.

Aí se afirma que o declínio nacional, a descaracterização do regime democrático e o ataque à soberania e independência nacionais marcam hoje a realidade do país.

E que há responsáveis: o PS e o PSD, com ou sem o CDS, que durante mais de três décadas partilharam alternadamente a governação em confronto com os valores de Abril.

Aí se sublinha que este caminho de retrocesso e desigualdades sociais contrasta com a escandalosa protecção e apoio dados ao grande capital e ao aumento dos seus colossais lucros.

Que esta situação exprime as contradições do sistema capitalista mundial e o peso cada vez mais negativo do processo de integração europeia.

E que este é um caminho inaceitável.

Aí se destaca que esta candidatura exprime a exigência de uma profunda ruptura e de uma efectiva mudança em relação às orientações políticas seguidas nas últimas décadas.

E se afirma, sem hesitações, que há um outro rumo e uma outra política capazes de responder aos problemas nacionais.

E se apresentam as grandes linhas desse rumo.

Qual das outras candidaturas, já apresentadas ou por apresentar, pode - falando verdade - dizer o mesmo?

Alguém dá um passo em frente para responder afirmativamente?

Ao leitor a possibilidade de decidir.

In jornal "Público" - Edição de 17 de Setembro de 2010

António Vilarigues no Castendo

domingo, 19 de setembro de 2010

A ARMADILHA

«Se Fores à Televisão, Camarada», é o título de um pequeno opúsculo escrito por Mário Castrim, nos anos 80, no qual alertava os militantes comunistas para as múltiplas armadilhas de que eram alvo por parte dos entrevistadores de serviço.

O título (bem como o objectivo...) é inspirado no célebre «Se Fores Preso, Camarada» - texto emblemático da história da resistência ao fascismo, no qual Álvaro Cunhal alertava os militantes comunistas para as múltiplas armadilhas a que estavam sujeitos no decorrer dos interrogatórios da PIDE...

E lá que havia semelhanças entre uma coisa e outra, havia...

Lembrei-me disto ao ler a entrevista de Francisco Lopes ao Diário de Notícias de hoje...- entrevista de leitura imperdível, dada a clareza, a serenidade, a convicção e a frontalidade com que o candidato comunista responde ao cerrado interrogatório e sublinha os aspectos essenciais que fazem da sua candidatura uma candidatura diferente de todas as outras.

Singular. Única.

A entrevista é conduzida por João Céu e Silva - de quem, há coisa de um mês, aqui falei a propósito de outra entrevista: ao líder do BE. (recordo que, nesse caso, o entrevistador foi altamente elogioso para o entrevistado e canalizou grande parte das perguntas no sentido de... «justificar» os elogios...)

Já para a entrevista a Francisco Lopes, o «critério» do entrevistador foi o outro...

Ou seja, aquele que, de acordo com as normas em vigor nos média dominantes, estabelece que os entrevistados comunistas sejam obrigados a pronunciar-se sobre todos os acontecimentos internacionais manipulados e utilizados por esses média, todos os dias, no quadro da ofensiva ideológica anticomunista.

Assim, as cinco primeiras perguntas colocadas ao candidato do PCP às presidenciais foram sobre... Cuba e o Muro de Berlim...

Resta dizer que as respostas do candidato Francisco Lopes foram por demais esclarecedoras: para os leitores e talvez, também, para o entrevistador...

Ou seja: não caíu na armadilha.

Fernando Samuel no Cravo de Abril

sábado, 18 de setembro de 2010

A HORA É DE LUTA!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A manchete errada ou mais uma destemida batalha do PS pelo "Estado Social" !

Anotando que só estranhos e socialmente insensíveis critérios "jornalísticos" podem ter levado o Público a preferir dar manchete às contratações a recibo verde nas autarquis em vez de a dar ao facto de 1 milhão de idosos perderem remédios grátis, aqui fica parte essencial da notícia deste jornal sobre as decisões governamentais em matéria de comparticipação dos medicamentos que permitirá ao PSD fazer o brilharete cínico de exclamar « Vêem, vêem, como somos nos nós que, hoje, mais ameaçamos o Estado Social !" :

«Mais de um milhão de pensionistas de baixos rendimentos vão deixar de ter medicamentos grátis, um benefício que lhes foi atribuído há pouco mais de um ano. Também a comparticipação de alguns dos remédios que são dos mais usados em Portugal, como antiácidos e anti-inflamatórios, vai diminuir para quase metade (baixa de de 69 para 37 por cento), já a partir de segunda-feira. E muitos doentes crónicos passarão a pagar mais pelos medicamentos de que necessitam até ao fim da vida, a não ser que optem pelos fármacos mais baratos do mercado. A acompanhar as alterações nas regras de comparticipação estatal, ontem aprovadas em Conselho de Ministros e que provocam um aumento do preço de alguns fármacos, o Governo avança com uma descida administrativa de seis por cento do preço de todos os medicamentos, a partir de 1 de Outubro. A ministra da Saúde estima que estas medidas vão permitir ao Estado poupar cerca de 250 milhões de euros por ano. A baixa de preços vai beneficiar também os utentes, acredita Ana Jorge - que não especifica, porém, qual será o valor deste benefício.(...)Anunciada antes das eleições em 2009, a gratuitidade dos fármacos para os pensionistas cujo rendimento anual não exceda 14 vezes o salário mínimo nacional termina, assim, ao fim de um ano e três meses em vigor. Esta semana, a ministra revelou que esta medida saiu cara aos cofres do Estado - custou 100 milhões de euros, mais 60 que inicialmente fora calculado. Aliás, a justificação avançada para pôr fim a este benefício foi a de que era necessário combater os "abusos" verificados (...)».

A má notícia dispensa grandes comentários porque fala por si.

Mas há um ponto que também diz tudo sobre o pessoal governante e o Governo que hoje temos: é quando a ministra Ana Jorge anuncia que um benefício foi extinto porque havia «abusos».

Como «abusos» haverá em todo o tipo e variedade de prestações sociais, ficaremos agora aguardar que o Governo de Sócrates os extinga a todos dentro da excelente regra segundo qual uma ínfima minoria de abusadores pode lixar a vida a centenas de milhares de cidadãos não abusadores.
Quem andou bem na escolha da sua manchete de hoje foi o DN.

Mas, apesar disso e de alguns cordões umbilicais, a verdade é que até às 19.14 hs. de hoje não havia no «jugular» nenhum «post» sobre esta matéria tão dolorosamente relevante.

Mas não desanimemos: pode muito bem acontecer que, não querendo ser atingida pelos silêncios de que acusa outros, amanhã a f. desarrinque um vibrante post intitulado "os lacaios do «socialismo»".

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Hoje há Avante!

   DESTAQUES:
Prioridade ao aumento dos salários
Velhas teses, que serviram para justificar o Código do Trabalho e a sua revisão, são retomadas agora, a propósito do «pacto para o emprego» e «numa lógica de acentuação dos lucros à custa da exploração dos trabalhadores». Enquanto o Governo do PS «não só pretende subverter como negar o direito de negociação colectiva», a CGTP-IN apela à intensificação da intervenção sindical nos locais de trabalho, dinamizando a contratação colectiva e as lutas reivindicativas, com prioridade ao aumento dos salários, considerado pela central como um imperativo nacional.
Declaração de Francisco Lopes

Uma candidatura patriótica e de esquerda
Apresento hoje a declaração da minha candidatura a Presidente da República. Candidatura a um órgão de soberania unipessoal, indissociável do projecto e do grande colectivo que a impulsiona. Esta é a candidatura do PCP, que traduz um percurso de coerência, que dá expressão aos interesses dos trabalhadores, da juventude, do povo português e apela à força que há, em cada um e em todos, para empreender o processo de mudança de que Portugal precisa. Esta candidatura que assumo dirige-se aos democratas e patriotas, a todos aqueles que, atingidos nos seus interesses e direitos, aspiram a uma vida melhor... 
Começa mal 
O ano lectivo 2010-2011 «começa mal e parece estar inevitavelmente comprometido», afirmou Jorge Pires, da Comissão Política do PCP, numa conferência de imprensa, realizada no primeiro dia de aulas.
Por salários e direitos
Um aumento de 50 euros para todos os funcionários públicos e a revogação da legislação da «reforma da direita» são as reivindicações centrais aprovadas, dia 8, pela coordenadora da Frente Comum.
Nova «Casa do Povo» 
Foram inaugurados os novos Serviços Centrais da Câmara Municipal do Seixal, o primeiro equipamento público do País a obter a Declaração de Conformidade Regulamentar no âmbito do Sistema de Certificação Energética.  
As fotos da Festa! 
Fotos de: André Santos, Da Maria Nogueira, Fernando Teixeira, Inês Seixas, Jorge Cabral, Jorge Caria, Luís Pó, Rogério Pedro e Sofia Bento.
O protesto de milhões
Depois das manifestações de dia 7, em França, que juntaram três milhões de pessoas, novas lutas estão anunciadas em vários países europeus.
Greve contra factura da crise
Milhões de indianos aderiram a uma greve de 24 horas, contestando o aumento dos preços e a privatização de empresas públicas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dívidas e burros

Foi solicitado a um prestigioso assessor financeiro que explicasse esta crise de uma forma simples, para que toda a gente pudesse entender as suas causas. 

O seu relato foi este: 

Um certo cavalheiro foi a um aldeia onde nunca havia estado antes e ofereceu aos seus habitantes 100 euros por cada burro que lhe vendessem.

Boa parte da população vendeu-lhe os seus animais.

No dia seguinte voltou e ofereceu um preço melhor: 150 euros por cada burrico. 

E outro tanto da população vendeu-lhe os seus.

A seguir ofereceu 300 euros e o resto das pessoas vendeu os últimos burros.

Ao ver que não havia mais animais, ofereceu 500 euros por cada burrico, dando a entender que os compraria na semana seguinte. 

E foi embora.

No dia seguinte enviou o seu ajudante à mesma aldeia com os burros que comprara, para que os oferecesse a 400 euros cada um.

Diante do possível lucro na semana seguinte, todos os aldeões compraram os seus burros a 400 euros e quem não tinha o dinheiro pediu-o emprestado. 

De facto, compraram todos os burros do município.

Como era de esperar, este ajudante desapareceu, tal como o cavalheiro inicial. 

E nunca mais foram vistos.

Resultado:

A aldeia ficou cheia de burros e endividada.

Até aqui foi o que contou o assessor.

Vejamos o que se passou depois.

Os que haviam pedido emprestado, ao não venderem os burros não puderam pagar o empréstimo.

Aqueles que haviam emprestado o dinheiro queixaram-se à municipalidade dizendo que se não recebessem ficariam arruinados; então não poderiam continuar a emprestar e todo o povo ficaria arruinado.

Para que os prestamistas não se arruinassem, o presidente da municipalidade, em vez de dar dinheiro às pessoas do povo para pagarem as dívidas, deu-o aos próprios prestamistas. 

Mas estes, já cobrada grande parte do dinheiro, entretanto não perdoaram as dívidas do povo, que continuou endividado.

O presidente delapidou o orçamento da municipalidade, a qual também ficou endividada.

Então pede dinheiro a outras municipalidades. 

Mas estas dizem-lhe que não podem ajudá-lo porque, como está na ruína, não poderão receber depois o que lhe emprestarem.

O resultado:

Os espertos do princípio, enganados.

Os prestamistas, com os seus ganhos resolvidos e um monte de gente à qual continuarão a cobrarem o que lhes emprestaram mais os juros, apropriando-se inclusive dos já desvalorizados burros que nunca chegaram a cobrir toda a dívida.

Muita gente arruinada e sem burro para toda a vida.

A municipalidade igualmente arruinada.

O resultado final?

Para solucionar tudo isto e salvar todo o povo, a municipalidade baixou o salário dos seus funcionários.

O original encontra-se em www.insurgente.org/.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A pobreza sai muito caro

Mia Couto reflecte neste belo texto acerca dos recentes e violentos episódios de agitação de rua em Maputo. 

Registemos a certeira afirmação “Na verdade, os motins não eram legais, mas eram legítimos. 

Para os que não estavam nas ruas, mesmo para os que condenavam a forma dos protestos, havia razão e fundamento para esta rebelião”. 

Se a voz dos pobres - mesmo se expressa da forma mais desesperada e tumultuosa - não é ouvida e não encontra resposta, esse silêncio constitui uma violência social ainda maior.

Ler o artigo de Mia Couto no ODiário.Info. ou no jornal "O País" de Moçambique.

domingo, 12 de setembro de 2010

Declaração de Candidatura de Francisco Lopes: Uma mensagem que faz toda a diferença


(...) Com toda a confiança, dirijo-me aos trabalhadores e ao povo de Portugal:

É preciso transformar desânimos e resignações em esperança combativa.

Confiem nas vossas próprias forças!

Mobilizem a vossa vontade, energia e capacidades!

O futuro de um Portugal mais justo e desenvolvido está nas vossas mãos!

Viva Portugal

Declaração na íntegra aqui

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de Setembro


Sergio Ribeiro no Anónimo Séc. XXI

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Como elas se fazem: Sobre uma entrevista de Fidel

Uma entrevista de Fidel Castro ao jornalista Jeffrey Goldberg da revista norte-americana “The Atlantic” obteve imediata e ampla difusão nos EUA e na União Europeia.

As declarações do dirigente cubano, deformadas e manipuladas por órgãos de comunicação como «El Pais» e pelas agências noticiosas internacionais, foram recebidas com surpresa e preocupação por partidos e organizações progressistas solidários com a Revolução Cubana.

Nessa entrevista - somente a primeira parte foi publicada no blog de Goldberg – Fidel emite uma opinião que se prestou a interpretações capciosas ao afirmar que «o modelo já não funciona sequer para nós» quando lhe perguntaram se a experiência cubana era aplicável noutros países.

Fidel, obviamente, não pôs em causa a opção revolucionária e socialista de Cuba, mas ao relacionar o mau desempenho da economia, em consequência do bloqueio, com uma intervenção excessiva do Estado na condução do processo, abriu a porta a uma onda de especulações venenosas nos media anti-comunistas.

O mesmo acorreu por ter assumido uma posição crítica perante o discurso do presidente do Irão sobre o Estado sionista de Israel ao sugerir que «deixe de difamar os judeus».

Como era de esperar essas declarações foram recebidas com agrado de Washington a Berlim e Tóquio, e apareceram com destaque nas primeiras paginas de jornais que sempre demonizaram o líder cubano.

Poucos homens no século XX contribuíram tanto como Fidel Castro, pela palavra e pela acção, para o avanço das lutas revolucionárias no chamado Terceiro Mundo.

A resistência da Revolução Cubana ao cerco e agressão imperialista demonstraram que um pequeno povo, hostilizado pela mais poderosa potência mundial, podia construir o seu próprio futuro seguindo o caminho do socialismo.

Simultaneamente a solidariedade de Cuba com a luta do povo angolano agredido pela África do Sul racista deixou memória como epopeia que apressou o fim do apartheid.

Não há precedente também para o nível da cooperação assumida por dezenas de milhares de cubanos (médicos, enfermeiros, agrónomos, professores, engenheiros, etc.) em países da América Latina, da África e da Ásia.

A participação pessoal de Fidel nessa gesta internacionalista é reconhecida pelos seus próprios inimigos.

Foi uma grave doença que levou Fidel Castro a renunciar à Presidência do Conselho de Estado, transferida para seu irmão, o general Raul Castro.

Afastado do Governo, continuou, porem, a ser o primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba.

Precisamente por isso, as «Reflexões» que passou a escrever quando o seu estado de saúde melhorou foram sempre amplamente divulgadas em dezenas de países e com frequência alvo de interpretações perversas.

Nas últimas semanas, sublinhando estar plenamente recuperado, apareceu em público, escreveu muitos artigos e concedeu entrevistas sobre temas de actualidade.

Expôs-se excessivamente e a ambiguidade de algumas das polémicas posições que assumiu não está a favorecer a imagem da Revolução Cubana.

Fidel Castro ganhou um lugar definitivo na Historia como herói da humanidade.

Mas está, como qualquer ser humano, condicionado pela lei da vida.

Mais de uma vez lembrou que as grandes revoluções somente se cumprem quando a transição das gerações se processa harmoniosamente.

Os milhões de amigos da Revolução Cubana, mundo afora, com ela solidários, esperam que a nova geração possa na Ilha dar continuidade à saga dos revolucionários de Moncada e do «Granma», liderada por Fidel.

Está anunciado para data próxima, a fixar, o VI Congresso – o V realizou-se há 13 anos - do Partido Comunista de Cuba.

A ele cabe abrir as alamedas do futuro para defesa e continuidade da Revolução.

A homenagem que prestará ao continuador de Martí e Bolívar dará força de evidência à certeza de que nos partidos comunistas é o grande colectivo dos militantes que, transcendendo a grandeza dos dirigentes, seres mortais, assegura a permanência do projecto revolucionário e dos seus princípios e valores.


Jeffrey Goldberg, um fiel propagandista do sionismo, é um dos jornalistas que contribuiu para o embuste das “armas de destruição maciça” no Iraque.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Hoje há Avante!

   DESTAQUES:
Jerónimo de Sousa no grandioso comício da Festa
Romper o cerco das injustiças passar à ofensiva!
Perante uma multidão que não arredou pé durante todo o comício, seguindo atentamente as intervenções do jovem dirigente da JCP, Diogo d’Ávila, e do Director do Avante, José Casanova, o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, num longo e vibrante discurso, fez uma análise da grave situação nacional e encorajou os trabalhadores a resistir e a lutar.
O Avante! na Festa
O espectáculo do espectáculo
Como sempre, o nosso jornal esteve lá, ininterruptamente, de sexta a domingo, para, com textos e fotos, dar agora uma ideia do que foram três dias de convívio fraterno, de luta e de esclarecimento, de debate, de cultura nas suas diversas formas, nesta grande jornada em que participaram muitas dezenas de milhares de visitantes, com destaque para a juventude, que chama sua à Festa do Avante!
Espaço Central
Actualidade viva
No Espaço Central, as ideias da campanha «Portugal a Produzir», foram desenvolvidas numa vasta e consistente exposição.
Organizações regionais
O melhor de todo o País
As organizações regionais do Partido levaram à Festa do Avante! o que de melhor se cria, produz e faz em cada região.
Cidade da Juventude
Corações ardentes
Se a Festa do Avante! é, cada vez mais, a festa da juventude tal deve-se ao papel que nela desempenham os jovens comunistas.

Francisco Lopes
Apresenta candidatura
Amanhã, às 17.30, na sala Europa do Hotel Altis, em Lisboa, o camarada Francisco Lopes apresenta publicamente a sua declaração de candidatura às eleições presidenciais.
Espaço Internacional
O ponto de encontro
Visitado por milhares de pessoas e composto por dezenas de pavilhões de partidos comunistas, operários e organizações progressistas de todo o mundo, o Espaço Internacional foi o ponto de encontro do internacionalismo proletário.
Desporto
Ninguém faz tanto
Falar do carácter único da Festa é falar de uma realidade amplamente reconhecida, seguramente desde a sua primeira edição, já lá vão 34 anos.

VER ÍNDICE
 
RESISTIR POR UM MUNDO MELHOR